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Fruto do cerrado ameniza doença

Fruto do cerrado ameniza doença (Diário da Manhã, 11/06/2008)

pesquisa – Mama-cadela, fruto do Cerrado que compõe o Viticromin. Fórmula do produto foi desenvolvida pelos médicos goianos Anuar e Casser Auad e agora poderá ser vendida no mundo

pesquisa – Mama-cadela, fruto do Cerrado que compõe o Viticromin. Fórmula do produto foi desenvolvida pelos médicos goianos Anuar e Casser Auad e agora poderá ser vendida no mundo

Moacir Cunha Neto

Doença de causas desconhecidas, o vitiligo atinge em média 2% da população mundial. Os primeiros casos teriam surgido há 3 mil anos, mas ainda não existe cura definitiva. Ainda assim, o controle da doença já pode ser vislumbrado. É a promessa do medicamento Viticromin, que teve sua fórmula desenvolvida em Goiás e, agora registrado como fitoterápico pela Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pode ser comercializado em todo o mundo. Em até 30 dias, o medicamento estará nas prateleiras. Ainda não foi definido o valor de comercialização do produto.

Presidente da Sauad Farmacêutica, Shirley Rocha lembra que a fórmula desenvolvida pela Auad Química, responsável pela descoberta (leia matéria ao lado), não foi alterada após a compra pela Sauad. O diferencial do produto é que, antes farmoquímico, não poderia ser comercializado no exterior. Agora, o produto, que foi registrado sob o nº 1.0590.0017.002-0-Anvisa, volta a ser fabricado em Goiás, sendo já cogitado para a venda em outros países. “Com o reconhecimento pela Anvisa, o medicamento fitoterápico pode ser vendido em todos os países do mundo”, ressalta. O Viticromin, segundo ela, é único em todo o mundo no tratamento da doença, que não está associada a bactérias ou vírus, sendo estimulada por fatores psicossomáticos.

A indústria Sauad Farmacêutica, que será inaugurada na noite de hoje, dará continuidade à pesquisa, com o objetivo de aproveitar a matéria-prima existente no Cerrado, o que pode resultar na descoberta de novos medicamentos, inclusive para o tratamento de outras doenças.

Mas Shirley não arrisca adiantar quais seriam esses novos medicamentos. No entanto, esclarece que o Viticromin continuará sendo sintetizado a partir da mama-cadela, fruto típico do Cerrado goiano.

Farmacêutica responsável pelo medicamento na Sauad, Meriane Lourdes de Paiva Brandão ressalta que o produto já desperta o interesse de países como a África do Sul e Europa. Segundo ela, todo o continente africano tem interesse em comprar o medicamento. Alemanha e França são outros países que representam potencial mercado consumidor.

Quanto à pesquisa, o Viticromin já foi tema de teses de mestrado, sendo citado internacionalmente como produto eficiente no combate ao vitiligo. A fórmula do produto foi desenvolvida pelos médicos goianos Anuar e Casser Auad, deixando de ser fabricado em decorrência da morte de um dos sócios da indústria.

Em Goiás, a Universidade Federal de Goiás (UFG) já pesquisa o tema, conforme esclareceu a farmacêutica da Sauad. O medicamento também ganha a atenção da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto e, em Angola, da Universidade Presbiteriana de Luanda.

sintomas

O vitiligo afeta todas as raças e surge em qualquer idade, sendo caracterizado pelo aparecimento de manchas esbranquiçadas na pele (alteração pigmentar adquirida), geralmente associada a histórico familiar de propensão à doença.

Não apresenta sintomas como dor, coceira ou ardor e também não é contagiosa. Mas a doença, que não atinge órgãos internos, pode causar traumas psicológicos ao paciente, que convive com manchas e o conseqüente sentimento de inferioridade. Além da pele, também podem ser acometidos os cabelos e as mucosas labiais e genitais, que se tornam brancos.

É o que afirma em artigo o dermatologista João Roberto Antônio, do Centro da Pele (São Paulo) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Em entrevista ao DM, ele destacou a necessidade de estudos e pesquisas continuados sobre os efeitos do medicamento Viticromin.

Segundo ele, ainda “não é possível falar em cura do vitiligo, mas em controle da doença”. No Brasil, segundo estimativas da SBD, pelo menos 4 milhões de pessoas são portadoras da doença. Embora ocorra em pessoas de qualquer idade ou raça, a maior parte dos casos já relatados se manifestou durante o período de crescimento do organismo.

O percentual é de até 50% dos casos registrados antes dos 10 anos e de 70% a 80% deles antes dos 30 anos. Com o uso do Viticromin, ao menos 80% dos pacientes chegam a alcançar a cura da doença, conforme atesta a farmacêutica Meriane Lourdes. Quanto ao reaparecimento da doença, fica em torno de 20%, devido, principalmente, a questões psicossomáticas.

Quanto às características físicas, não há indícios apontados pela Medicina de incidência da doença por sexo, sendo que os registros mais freqüentes são em pessoas de pele morena, cabelos e olhos castanhos. “É impossível impedir que uma pessoa venha a desenvolver vitiligo.”